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«JÁ FUI UM GRANDE ACTOR DE CINEMA!»
Publicado em   12 mar 2010

Disciplina de Língua Portuguesa  -   Inês Esteves, n.º 10, 9.º B





“Longa viagem começa por um passo.”
“ O silêncio é de ouro e muitas vezes é resposta.”


É verdade, já fui uma grande actriz de cinema! Mas continuo a sê-lo! Digamos que tudo começou quando eu nasci. Como se costuma dizer, nasci com o jeito para o teatro e para o cinema televisivo.
Já eu tinha oito meses e já olhava para a televisão, para os bonecos animados (“As aventuras do Tio Patinhas”), enfim.
Tinha eu quatro aninhos e na festa de Natal do Infantário deram-me o papel principal da história e, inocentemente, já não me lembrando como, disse tudo o que me tinham dito. Como saberei isto? Por relatos da minha mãe e fotografias arquivadas lá em casa.
Chegados os meus oito anos de idade, quando já sabia ler, participei numa peça de teatro organizada pela minha Escola Primária, Escola de Ranhados, mais especificamente uma peça organizada pela minha turma. Eu, mais uma vez, era a personagem principal e deram-me para as mãos um texto de três folhas! Enchi-me de coragem e, mais uma vez, disse o texto todo sem me enganar e sem folhas à frente! No final, eu e os meus colegas recebemos uma salva de palmas pelo trabalho realizado.
À medida que ia crescendo, mais me interessava o cinema, a televisão, o teatro: tudo o que tivesse a ver com representação!
Terminei a escola primária mais uma vez com um teatro elaborado sobre os nossos quatro anos na Escola e mais uma vez era uma personagem importante!
Após isto, estudei no Colégio da Via – Sacra até ao 9ºano de Escolaridade para ficar com as bases necessárias e exigidas neste tempo.
Saindo daqui dirigi-me para Lisboa, mas o meu sonho ainda estava longe de ser concretizado. O meu pai obrigava-me a fazer o décimo, o décimo primeiro e o décimo segundo num colégio de freiras, muito idêntico a um colégio interno!
Ele queria que eu fosse médica; mas a minha vida, o meu coração e o meu pensamento, não estavam, de nenhum modo, virados para esta vertente! Eu já compunha e escrevia canções desde os meus catorze anos! Até que, chegado o primeiro dia do décimo segundo ano para o colégio, a caminho de lá, levada pelo meu pai, pela minha mãe e pelas minhas duas irmãs, vi um Citröen com cerca de cinco pessoas lá dentro e o jovem que ia a conduzir cativou-me. No segundo dia, eu tive conhecimento de uma Escola de Artes Performativa, não muito longe do Colégio de Freiras. Não queria chegar atrasada! De espantar! Mas não, eu tinha outra na minha mente! Mal cheguei ao colégio, antes de entrar naquele portão velho, alto e ferrugento virei para trás e fui a correr até à Escola onde me inscrevera, sem o meu pai saber. Quando cheguei, deparei-me com o mesmo rapaz (que tinha visto no Citröen) na Sala de Audições onde tínhamos de ser avaliados de uma forma diagnostica a canto, a dança ou representação.
Quem quisesse podia ser avaliado a uma ou a duas ou às três áreas em questão. A primeira audição correu-me pessimamente. Chumbei. O meu pai descobriu que eu estava naquela Escola e foi imediatamente buscar-me.
Eu fugi e dirigi-me para o Auditório. Peguei no microfone e pus-me a cantar e a dançar. Neste momento, Tiago, o rapaz que tinha visto no Citröen, entra no Auditório e põe “música de fundo” que eu estava a cantar. De seguida, Tiago também pega no microfone e canta juntamente comigo! Passámos os dois na audição.
Nesse momento, o meu pai e a minha mãe apareceram no Auditório juntamente com a Directora da Escola de Artes e fico pasmada e sou obrigada a ir para casa. Farta de estar fechada em casa, decido fugir. O meu pai não compreende a minha posição e não me deixa ser quem sou e não me deixa fazer o que realmente quero.
Tiago, nesse momento, liga-me e aviso-o que vou fugir de casa. Fico dois dias seguidos em casa dele e vou para a Escola de Artes, afirmando-me que tinha passado nas audições.
O meu pai repensou a sua atitude e deixa-me frequentar a Escola de Artes Performativas com uma condição: tenho de me deixar de dar com o Tiago e os amigos dele, não posso frequentar actividades extra curriculares, etc.
Eu concordei, pois o que me importa é a Bolsa de Estudo para Londres e vou continuar a dar-me com o Tiago, mesmo sem o meu pai querer, pois na verdade ele não estará lá para ver.
Passou o ano lectivo e decidimos, para comemorar o final do décimo segundo ano umas férias em Portimão.
Demos uma volta à cidade e descobrimos um teatro velho todo destruído. Dedicamo-nos àquela causa com algumas precauções: reconstruir o teatro.
O Teatro tinha sido alvo de um incêndio provocado por uma bomba. Depois de tanto tempo dedicado a angariar fundos para a reconstrução do teatro, eu e os meus amigos descobrimos uma coisa que poderia ser jogada a nosso favor: uma bomba na cave do Teatro. Ao que tudo indicava, aquela teria sido a bomba usada para fazer um incêndio ao teatro há algum tempo atrás. Chamámos a polícia e era mesmo verdade, aquela era a bomba e, segundo o que nos disseram, podíamos receber uma indemnização de grande valor que dava para reconstruir o teatro e ainda mais. Então, começámos a preparar-nos para dar um grande espectáculo, a simbolizar a reabertura do teatro.
O espectáculo tinha muita música. Todos em conjunto cantávamos e dançávamos. A representação ficou para o final e foi dita e representada por mim:
“ – Ora, a viagem que penso fazer é uma das mais bonitas que alguém pode imaginar!
Apesar da maioria das pessoas preferir uma viagem com direito a sete noites para a Disneyland, Paris ou América, eu adoraria viajar pelo Universo.
Imaginem-se, internautas, vão a uma agência de viagens para fazer uma reserva: Milão, Paris, Cidade do México. A reserva seria para uma viagem completa pelo Sistema Solar, desde o Sol até Plutão!
Agora pensem que vocês estão para embarcar. Entram no foguete, apertam o cinto. De repente, vêem a contagem decrescente: 10,9,8,7,6,5,4,3,2,1,0, Brrrrrrrruuuuuuuuuuuuuummmmmmmm! Aquele puxão, a minha pele querendo fugir dele, o meu estômago dando voltas, os meus olhos mais fundos do que as Fossas das Marianas, e as pessoas, lá em baixo, nas casas, dizendo adeus para mim. Eu quase que nem poderia vê-las!....
Já fora de órbita, no espaço, sorrindo vêm até mim e dão-me instruções de segurança. Após todo o blá-blá-blá, a senhora finalmente diz o que todos já sabem, mas querem ouvir de novo para terem a certeza: o roteiro da viagem.
Pois bem, após vocês, espectadores, conhecerem as “novas pessoas”, os seus costumes e os seus planetas, o espaço convoca-nos de novo para a Terra. Todos tristes, queremos ficar mais um pouco, mas, com muitas saudades daqueles que deixámos em casa, entram na nave. Levam fotografias, as novas amizades, os apertos que passaram, as Paixões, as doenças, que mais tarde dizimariam a Terra e a certeza de que um dia voltarão. É o fim da viagem. Ou não.
Alguns, com certeza, ao invés de voltarem, pegarão uma baldeação para o infinito. Os primeiros cometas por onde passarem, eles os domarão com as suas redes e viajarão para onde eles os levarem. Viajar para sempre, eternamente. Abrir os horizontes o mais possível. Desvendar os mistérios. Este é o fim do ser.”
Foi simplesmente uma representação.



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